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Jornal do Brasil - RJ
07/04/2008 - 09:52
É hora de pensar com o hemisfério direito
Autor anuncia revolução criativa e empresas ‘pensam fora da caixa‘
Janet Rae-Dupree
Somos guiados por uma de duas mentes. Até recentemente, a América corporativa não fazia esforço para usar uma delas. Mas agora que estamos até os quadris na tão chamada economia criativa e na era conceitual, não se pode ignorar o artista que mora dentro de cada um de nós: o lado direito do cérebro.
Apesar de ter sido popularizado nos anos de 1980 pela artista Betty Edwards no livro Desenhando com o lado direito do cérebro, a dicotomia lado esquerdo-lado direito iniciou-se na pesquisa do biólogo americano Roger W. Sperry, nos anos 1960. Ao analisar animais com distinção de hemisférios cerebrais e humanos cujos hemisférios cerebrais foram desconectados (isso era feito para prevenir ataques epilépticos), ele descobriu que cada lado do cérebro desempenha um papel próprio na cognição. O lado esquerdo, morada da central humana da linguagem, é o elemento lógico e linear da equação.
O lado direito, lar da percepção espacial e de conceitos não-verbais, é a fonte não-linear, de alta sensibilidade conceitual, da imaginação e do prazer. Os dois funcionam, lado a lado, enviando constantemente sinais para frente e para trás por meio de 200 a 300 milhões de fibras nervosas, para ajudar a balancear aprendizagem, análise e comunicação no cérebro.
Agora que computadores conseguem emular muitas das habilidades seqüenciais do hemisfério esquerdo cerebral – a parte que enxerga árvores isoladamente numa floresta – o autor Daniel Pink argumenta que seja esta a hora de o nosso lado direito imaginativo vicejar. É esse que enxerga a floresta como um todo.
Era da informação nos atrofiou
– Tais habilidades sempre compuseram a noção do que significa ser humano – nota Pink, que sintetizou suas idéias acerca do novo papel do pensamento com o lado direito do cérebro no livro A revolução do lado direito do cérebro, de 2005.
– Depois de algumas gerações dentro da Era da Informação, muitos de nossos músculos de alta sensibilidade atrofiaram. O desafio é remoldá-los.
Para que se importar? Porque muito do trabalho centrado no lado esquerdo do cérebro desempenhado pelos os funcionários americanos da Era da Informação – programação de computadores, contabilidade financeira – é feito agora de forma mais barata na Ásia e mais eficiente por computadores. Se é possível automatizar ou terceirizar, por que não fazê-lo?
O lado direito de empresas
Quando a General Motors contratou Robert A. Lutz em 2001 para dar um choque no desenvolvimento de produtos da empresa, ele falou sobre sua nova abordagem. – É mais lado direito do cérebro, é mais criativo. Prevejo incursões nas artes. Quando uma empresa de carros como a GM entra em negócios de arte, todas as empresas, de qualquer outra indústria entram também. Faz sentido, então, que executivos se voltem para o ícone pop original do raciocínio com o lado direito, Desenhando com o lado direito do cérebro. Betty Edwards aposentou-se em 1998, mas o filho, Brian Bomeisler, ministra workshops corporativos o ano todo. A lista de empresas em que Bomeisler trabalhou é o quem é quem dos 500 mais ricos do mundo. – Ensino empresas a fazerem como manda aquela frase cafona: pensar fora da caixa. Ao ensiná-los a desenhar, desembrulho suas mentes.
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