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30/01/2010 - 16h41

Bibiu é a maior diversão

Homero Fonseca

Coluna Modos de Macho
Xico Sá

DP, 22 de dezembro de 2007

Bibiu falou, tá falado: "As belezas desta vida são o trem, o cinema e a mulher". Quem quiser que duvide, este cronista, com o figueiredo deverasmente maltratado pelas carraspanas de fim de ano, é que não vai se meter a tal engenho e malasartes.

Estou com Bibiu e não abro nem para um trem carregado de pólvora Elefante, com um doido barrido fumando na cabine. Bibiu é o cão chupando manga, o entabacamento de Chola, a febre do rato, a bala que matou Getúlio -"menino bom" da política do seu tempo-, o tampa de Crush, o tampa de Grapette e de todas as outras gasosas decentes.

Bibiu é o arroto inesquecível diante da estranheza da primeira Coca-Cola, como diz a lírica semi-árida do bravo Fausto Nilo. Lapa de doido, esse Bibiu, além de outro rosário de credenciais, patentes e orgulhos dependurados no pescoço: mulherengo, enrolão, devasso, estróina, pobretão, raparigueiro, mentiroso e cachaceiro. O que não dá pra Bibiu também não dá pra Severino, seu santo batismo apostólico.

Pense num cabra presepeiro! Tão bom de lorota quanto meu avô João Patriolino, que desceu lá de Exu para sentar praça no Ipiranga, Santana do Cariri, onde brigou nas tropas de Manuel Alexandre, também do nosso parentesco. É impossível, amigo, achar que Bibiu nem existiu de verdade depois de ler o livro do ano. Existiu sim, o escritor e jornalista Homero Fonseca, editor da revista Continente Multicultural, o fez de carne, osso e o massapê das invenções mais bíblicas e picarescas. É o anti-herói por excelência, filiado ao partido anarco-armorial de João Grilo e a todos os lazarentos por necessidade do universo.

A gente lê o livro e fica ali, lesado na rede, tamanha é a prosa afetiva das aventuras deste personagem. Sim, amigo, o livro de Homero se chama Roliúde - Um romance picaresco, aventuroso e cinematográfico. Saiu pela editora Record, explique direitinho ao livreiro predileto ou rasgue essa crônica e corra às boas casas do ramo. Agora, voando, antes que o cuspe do coronel de Limoeiro seque no terreiro.

É impossível não gostar de uma obra dessa natureza. É coisa grandiosa, simples e bonita, amigo, é presente para filhos e netos. Até a sua sogra, meu chapa, vai lhe retribuir com um sorriso nunca dantes natalino. O meio-de-vida de Bibiu, já ia esquecendo, é uma beleza: o cabra safado vê os filmes americanos no Cine Glória, no Recife, e sai contando as fitas pelo meio do mundo. E o Vento Levou... vira um redemoinho arretado sertões adentro.

Pense numa Scarlet O'Hara virada num "mói" de coentro. Mas história sem onça, como dizia o velho Patriolino, não é história que se conte. Para o nosso amigo Bibiu, isso nunca foi problema. Se pedissem, botava onça até arrodeando a cruz da Paixão de Cristo, outra película. E quem quiser que conte outra, pois, como diz Bibiu, com o governo, polícia e mulher baixinha não se brinca. Boas festas e nos vemos aqui antes do pipoco de 2008.

& Modinhas de fêmea

Agora, somente para as moças bonitas, uma canja do próprio Bibiu, nosso anti-herói supracitado: "Gente boa, o filme que vou contar hoje se chama ... E o vento levou. É a história de uma mulher bonita mas muito ambiciosa e metida a cu-doce, com licença da palavra. A história se passa na América do Norte, no tempo antigo, quando aconteceu uma guerra lá, o Norte contra o Sul. A mocinha se chamava Scarlete... é, esses gringos têm mania de botar nome esquisito nos filhos. Ninguém vê nos filmes americanos uma moça chamada Maria do Carmo, Conceição ou Francineide..."

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